Coletivo de educadores de Paraty lança texto sobre violência na cidade

O texto começou a ser compartilhado hoje nas redes sociais. Confira a postagem na íntegra:

Sobre a violência e a educação em Paraty

De acordo o Instituto de Segurança Pública (ISP), diariamente 19 pessoas perdem a vida por armas de fogo no Rio de Janeiro e a cada oito horas uma pessoa no estado é morta pela Polícia Militar. Em Paraty, foram 33 assassinatos em 2016 e a cidade figura no Mapa da violência de 2016 como o município com o maior número de homicídios por armas de fogo no estado. A violência banalizada e corriqueira só toma as verdadeiras e assombrosas proporções quando invade nosso espaço, metendo o pé na porta, rompendo barreiras reais e imaginárias.

Desta vez não foi uma estatística, não foi “mataram um”. Não foi na Rocinha, nem em Costa Barros. Tampouco foi a Maria Eduarda de uma escola em Irajá. A vítima desta vez é Tovick Coelho. Tem nome, cheiro e sorriso familiares. Estava ontem ali, naquela carteira, circulando pelo pátio. É nosso aluno, nosso colega de classe, nosso amigo.

Diante de tanta dor e perplexidade, todos se perguntam que atitudes diferentes poderiam mudar o final desta tragédia.

“E se ele tivesse tomado um caminho diferente?”

“E se tivesse professores para todas as matérias e ele precisasse estar na escola às 7 da manhã?”

“E se o policial tivesse optado por não revidar os tiros para resguardar os muitos inocentes que circulavam por perto?”

“Se a polícia fosse preparada para render sem atirar?”

“Se ele tivesse corrido para o lado oposto?”

“E se a bala tivesse feito outro trajeto?”
“Se o socorro fosse a tempo?”

Frente à esta nuvem escarlate ceifadora de horizontes, estamos frágeis, vulneráveis, indefesos. Tudo aconteceu a três quadras da nossa escola. O Estado não nos dá a estrutura necessária nem para evitar que jovens se envolvam com a violência nem para proteger os estudantes da violência externa. A ausência de porteiros e inspetores, que apesar de não exercerem um papel de segurança ocupam os espaços e inibem maiores problemas, abre clareiras para o ingresso de pessoas mal intencionadas, atraídas pela juventude de nossos estudantes – presas perfeitas para casos de assédio, aliciamento e outros perigos. Nos trancamos com medo, por sobrevivência, comprometendo nosso princípio de uma escola aberta e livre.

Por outro lado, um serviço de orientação escolar adequado poderia oferecer a muitos jovens alternativas viáveis para uma vida mais feliz e permitiria aos diretores mergulharem em questões pedagógicas e administrativas mais amplas. Uma escola com o quadro completo de professores, ambientes agradáveis e número confortável de estudantes por turma, estimularia uma maior permanência na escola, traria seriedade ao sistema de ensino e evidenciaria o poder transformador da educação. Em uma cidade pequena como Paraty, a qualidade do ensino público pode sim ser um remédio rápido e eficaz contra o aumento da violência, desde que haja vontade política e investimento adequado.

A educação é sempre invocada como solução social, mas na prática a escola pública agoniza com os cortes de recursos humanos e financeiros enquanto programas mirabolantes e caros são implantados. É nessa realidade hipócrita que o terror se espalha. Não podemos mais salvar Tovick, mas podemos construir um futuro diferente.

COLETIVO DE EDUCADORES DE PARATY”

Guido Nietmann é fotógrafo, nascido em São Paulo, mas é apaixonado e mora há 6 anos em Paraty. Criou em parceria com a fotógrafa Roberta Pisco a Fotos Incríveis, especializada em fotografia de alto padrão. Eterno apaixonado por Paraty, não se cansa de retratar as belezas da cidade e nutre uma paixão toda especial pela Igreja de Santa Rita!

Saiba mais acessando www.fotosincriveis.com.br

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