O Show da Vida

Como eu falei no artigo anterior, a TV educa, porém, da mesma forma que ela é uma poderosa ferramenta de educação de um povo, ela também pode destruí-lo.

Você lembra do filme “Show de Truman – O Show da Vida? ” Se não conhece, faça-me o favor de assistir, pois é incrível. Vivemos um constante espetáculo, um desesperado “show me the money”, sempre vigiados pelos olhos do “grande irmão”, nessa eterna guerra contra a Eurasia. Sim, meus queridos, vamos falar de realities.

Confesso que me soa estranho essa ideia de confinamento “do bem”, onde as pessoas se engalfinham por um quinhão! Perde-se escrúpulos e índoles (em alguns casos perde-se até o senso do ridículo, né nom?) por quinze minutos de fama e um punhado de dinheiros. Um tanto meio Jogos Vorazes. Só que a morte é outra.

A quantidade de realities chega a ser assustadora. Mas o que mais me incomoda é o mercado que a consome e a necessidade que temos de vigiar, avaliar, questionar e ser até responsável pela vida do coleguinha que concorre a algum prêmio, enquanto estamos apenas com a bunda sentada no sofá gastando telefone e tempo.

Não me leve a mal. Adoro um Masterchef e um SuperStar. Mas há alguns anos venho me questionando sobre a crueldade dessa nave louca chamada BBB, ou até sobre as consequências devastadores que os realities infantis podem causar nessas crianças que brincam de adultos.

Vamos começar pelo mais antigo? BBB, seus cansativos 18 anos de existência e suas superadas polêmicas. Das últimas que lembro temos participante acusado de abuso de vulneráveis fora do confinamento e, mais recentemente, participante sofrendo abuso dentro do confinamento. Sim, leitores, estou falando do casal sensação de 2017 Marcos e Emilly.

Quando falei que o que mais me assusta é a clientela que consome, falo do medo que me deu quando me deparei com mulheres formando fã-clubes para o cara que agrediu uma menina de 19 anos, física e mentalmente. Me assusta pensar que pessoas, e principalmente adolescentes, viraram noites e noites para votar em uma menina claramente mimada, irritante e, a meu ver, zero merecedora de terminar como campeã.

Estamos falando de um programa que já consagrou como vencedor um professor homossexual eleito pela European Diversity Awards como uma das 50 maiores personalidades da diversidade no mundo. Percebe a discrepância dos votos?

Aí você vai dizer que na época não tínhamos essa velocidade cibernética. E eu vou te dizer que concordo que a internet potencializou tudo. Porém, será que a culpa não é das pessoas que votam e escolhem seus favoritos? Quais são os critérios? Como podem defender um abusador? Como podem formar fã-clubes pra meninas mimadas? O que temos na nossa cabeça, afinal?

Pois é? Uma das grandes questões do universo, não acha?

Agora vamos às fofocas: você sabe o que está acontecendo nesse BBB? Senta aí que vou te contar esse bafão. Tem um carinha boa pinta que é noivo, mas trai a mulher e depois deita e chora com a aliança dela na mão (nos poup, né?). Tem um pai que gosta de dar selinhos longos na filha, que abre sua toalha para ver se ela está de calcinha e que, sente essa última dele, pediu uma cama maior, por que gosta de dormir de conchinha com ela. Sim, Paraty, isso mesmo!

Qual é o NOSSO limite quando se trata do “espetáculo da vida real”?

 

Zelda Scot é jornalista, feminista e intelectual, meio hippie, meio punk, meio gótica, volta ao Rio de Janeiro, depois de uma longa temporada em Londres, visitando pubs e tomando cervejas.

Na terra dos meninos de Liverpool, Zelda serviu mesas e cantou em palcos e praças, conheceu homens e mulheres, mas a saudade bateu mais forte e, de volta à cidade maravilhosa, jogou as malas e as memórias nesse litoral histórico chamado Paraty para falar sobre as ‘polemicidades’ televisivas e degustar belas cachaças.

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