Pílulas de Poesia: 100% feminista

“Presenciei tudo isso, dentro da minha família
Mulher com o olho roxo, espancada todo dia
Eu tinha uns 5 anos mas já entendia
Que mulher apanha, se não fizer comida
Mulher oprimida, sem voz, obediente
Quando eu crescer, eu vou ser diferente

Eu cresci, prazer Carol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista
Eu cresci, prazer Carol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista

Represento Aqualtune, represento Carolina
Represento Dandara e Xica da Silva
Sou mulher, sou negra, meu cabelo é duro
Forte, autoritária e as vezes frágil, eu assumo
Minha fragilidade não diminui minha força
Eu que mando nessa porra, eu não vou lavar a louça
Sou mulher independente não aceito opressão
Abaixa sua voz, abaixa sua mão

Mais respeito
Sou mulher destemida minha marra vem do gueto
Se estavam querendo peso então toma esse dueto
Desde pequenas aprendemos que silencio não soluciona
Que a revolta vem à tona pois a justiça não funciona
Me ensinaram que éramos insuficiente
Discordei, pra ser ouvida o grito tem que ser potente

Eu cresci, prazer Karol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista
Eu cresci, prazer Karol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista

Represento Nina, Elza, Dona Celestina
Represento Zeferina, Frida, Dona Brasilina
Tentam nos confundir, distorcem tudo que eu sei
Século XXI e ainda querem nos limitar com novas leis
A falta de informação enfraquece a mente
To no mar crescente porque eu faço diferente
…”

100% Feminista de Carol Conka

Karoline dos Santos Oliveira nasceu em uma família humilde de Curitiba. Desde criança escrevia canções, muito inspirada por sua mãe, que escrevia poemas. Aos 13 anos de idade já participava de concursos de dança contemporânea em sua cidade natal, ganhando alguns deles. Nesta época já sonhava em ser cantora. Aos 16 anos participou de um concurso escolar de rap e ganhou, e assim decidiu investir e se profissionalizar na área musical. Aos poucos foi construindo a sua carreira, ficando famosa por meio da internet, onde exibia seus videoclipes.

Após conhecer MC Cadelis e o Cilho, ambos formaram um quarteto chamado “Agamenon”, lançando um mixtape com sete canções. A partir disso, começaram a ficar conhecidos. Por dois anos se apresentaram como grupo “Upground” com Cadelis, Nairóbi, Mike Fort, São Nunca, Guerra Santa e Nel Sentimentum, promovendo-se com dois mixtape.

Em 2011, após ter disponibilizado algumas músicas no Myspace, Karol disponibilizou seu primeiro EP intitulado “PROMO”. Depois de algumas parcerias, entre elas com o rapper Projota, na canção “Não Falem!”, em 2012, ela encontrou Nave, que foi produtor de seu primeiro álbum “Batuk Freak”. Este foi lançado em agosto de 2013, tendo hits como “Boa Noite” (presente na trilha sonora do jogo de vídeo-game “Fifa 14”), “Gandaia” e “Olhe-se”. O som casou perfeitamente com a sua proposta de fazer um rap com sonoridade universal, aliando batidas pesadas a timbres orgânicos, levando influencias da musica eletrônica, funk carioca, dubstep, reggae, r&b, soul e repente.

Em 2013, Karol recebeu sua primeira estatueta na categoria Artista Revelação, no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Com o lançamento da canção “Tombei” com o grupo Tropkillaz, em 2015, ela voltou à premiação, vencendo a categoria Nova Canção. A música em questão ainda se tornou tema de abertura do seriado “Chapa Quente”, em 2016, estrelada por Ingrid Guimarães e Leandro Hassum. No ano seguinte, em 2017, a canção “Bate a Poeira”, do seu primeiro disco, se tornou tema da 25ª temporada de Malhação, subtitulada de Viva a Diferença.

Foi garota propaganda da Avon dando visibilidade ao empoderamento da mulher negra, hoje divulga os batons da nova linha da marca no Brasil. Ela também foi a primeira artista brasileira a ser convidada pela BBC Radio 1Xtra Live Lounge – rádio inglesa que teve pela primeira vez uma artista performando em outro idioma.

Em 2016, nos representou na abertura dos Jogos Olímpicos junto com o a Mc Soffia. Reforçou seu ativismo na televisão pra mais de 28 milhões de expectadores e foi comparada a Beyoncé pelo The New York Times. Participou do Lollapalooza, afirmando que o lugar do rap feminino é no topo, foi pro Japão gravar clipe. Em 2017, ela chegou nas telinhas da GNT como apresentadora do Superbonita.

A poesia é o melhor remédio!

Roberta Pisco

Roberta Pisco é fotógrafa e produtora cultural, com mais 10 anos de experiência no mercado cultural do Rio de Janeiro. Aprendiz de escritora e de viajante, sempre tem uma lista enorme de filmes para ver e de livros para ler. Meio palhaça, meio nerd, é especialista na arte de rir de si mesma e de provocar reações inesperadas. Carioca convicta, apaixonou-se por Paraty, onde mora e desenvolve seu trabalho como fotógrafa. Junto com Guido Nietmann, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em imagens de altíssima qualidade nas áreas de imobiliária e ambientes, gastronomia, náutica, still (produtos), paisagens, aéreas, etc. Atualmente fotografam para as melhores empresas da Costa Verde.

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