Pílulas de Poesia: Exu nas Escolas

Exu nas escolas, Exu nas escolas
Exu nas escolas, Exu nas escolas

Exu no recreio
Não é show da Xuxa
Exu brasileiro

Exu nas escolas, Exu Nigeriano
Exu nas escolas,
E a prova do ano
É tomar de volta
A alcunha roubada
De um Deus yorubano

Exu nas escolas, Exu nas escolas
Exu nas escolas, Exu nas escolas

Estou vivendo como um mero mortal profissional
Percebendo que as vezes não dá pra ser didático
Tendo que quebrar o tabu e os costumes frágeis das crenças limitantes
Mesmo pisando firme num chão de giz, de dentro pra fora da escola é fácil aderir uma ética e uma ótica presa numa enciclopédia de ilusões bem selecionadas e contadas só por quem vence
Pois acredito que até o próprio Cristo era mais crítico em relação a tudo isso
E o que as crianças estão pensando
Quais são os recados que as baleias tem para dar para nos seres humanos, antes que o mar vire uma gosma
Cuide bem do seu Tcheru
Na aula de hoje veremos
Exu voando em um tsuru
Entre a boca de quem assopra e o nariz que quem recebe o tsunu
As escolas se transformam em centros ecumênicos
Exu te ama!
E ele também está com fome porque as merendas foram desviadas novamente
No país laico
Temos a imagem de César na cédula
E um “Deus seja louvado!”
A bancada e os lacaios do estado
Se Jesus Cristo tivesse morrido nos dias de hoje com ética, em toda casa ao invés de uma cruz, teríamos uma cadeira elétrica

Exu nas escolas, Exu nas escolas
Exu nas escolas, Exu nas escolas

Exu no recreio
Não é show da Xuxa
Exu brasileiro

Exu nas escolas, Exu Nigeriano
Exu nas escolas,
E a prova do ano
É tomar de volta
A alcunha roubada
De um Deus yorubano

Exu nas escolas, Exu nas escolas
Exu nas escolas, Exu nas escolas

Exú Nas Escolas – Elza Soares Part. Edgar
Autores: Kiko Dinucci e Edgar

Nascida e criada em uma favela do Rio de Janeiro, Elza Soares participou de um show de calouros apresentado pelo renomado músico brasileiro Ary Barroso, e recebeu as maiores notas. No fim da década de 1950, Elza fez uma turnê de um ano pela Argentina, juntamente com Mercedes Batista. Tornou-se popular com sua primeira música “Se Acaso Você Chegasse”. A voz rouca e vibrante tornou-se sua marca registrada. Após terminar seu segundo LP, A Bossa Negra, Elza foi ao Chile representando o Brasil na Copa do Mundo da FIFA de 1962.

Nos anos 70, Elza entrou em turnê pelos Estados Unidos e Europa. Sua carreira remonta mais de 40 anos. Em 2000, foi premiada como “Melhor Cantora do Universo” pela BBC em Londres, quando se apresentou num concerto com Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Virgínia Rodrigues. No mesmo ano, estreou uma série de shows de vanguarda, dirigidos por José Miguel Wisnik, no Rio de Janeiro.

Em 2002, o álbum “Do Cóccix Até O Pescoço” garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco recebeu críticas estupendas da imprensa da música e divulgou uma espécie de quem é quem de artistas brasileiros que com ela colaboraram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor, entre outros. O lançamento impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo.

Em 2015, Elza lançou “A Mulher do Fim do Mundo”, em que começava interpretando a capela versos de Oswald de Andrade alusivos ao tráfico negreiro. Em “Deus É Mulher”, lançado em 2018, Elza inicia a capela, mas já cortando o presente: “Mil nações moldaram minha cara/ Minha voz, uso para dizer o que se cala/ O meu país é o meu lugar de fala”.

Neste último disco Elza Soares canta um Brasil que ficou ainda mais sombrio nos últimos três anos. Em vez de abatimento, porém, há vigor. Contra a intolerância religiosa e a doutrina Escola sem Partido, vem “Exu nas Escolas” (Kiko Dinucci e Edgar), em que se ensina que “Exu no recreio não é xou da Xuxa” e se propõe “tomar de volta a alcunha roubada”, ressaltando-se o lado positivo da entidade.

Roberta Pisco

Roberta Pisco é fotógrafa e produtora cultural, com mais 10 anos de experiência no mercado cultural do Rio de Janeiro. Aprendiz de escritora e de viajante, sempre tem uma lista enorme de filmes para ver e de livros para ler. Meio palhaça, meio nerd, é especialista na arte de rir de si mesma e de provocar reações inesperadas. Carioca convicta, apaixonou-se por Paraty, onde mora e desenvolve seu trabalho como fotógrafa. Junto com Guido Nietmann, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em imagens de altíssima qualidade nas áreas de imobiliária e ambientes, gastronomia, náutica, still (produtos), paisagens, aéreas, etc. Atualmente fotografam para as melhores empresas da Costa Verde.

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