Pílulas de Poesia: Seu nome era dor

“Seu nome era dor
Seu sorriso dilaceração
Seus braços e pernas, asas
Seu sexo seu escudo
Sua mente libertação
Nada satisfaz seu impulso
De mergulhar em prazer
Contra todas as correntes
Em uma só correnteza
Quem faz rolar quem tu és?
Mulher!…
Solitária e sólida
Envolvente e desafiante
Quem te impede de gritar
Do fundo de sua garganta
Único brado que alcança
Que te delimita
Mulher!
Marca de mito embotável
Mistério que a tudo anuncia
E que se expõe dia-a-dia
Quando deverias estar resguardada
Seu ritus de alegria
Seus véus entrecruzados de velharias
Da inóspita tradição irradias
Mulher!
Há corte e cortes profundos
Em sua pele em seu pelo
Há sulcos em sua face
Que são caminhos do mundo
São mapas indecifráveis
Em cartografia antiga
Precisas de um pirata
De boa pirataria
Que te arranques da selvageria
E te coloque, mais uma vez,
Diante do mundo
Mulher.”

Sonho de Beatriz Nascimento

Nascimento, Beatriz. Todas (as) distâncias: poemas, aforismos e ensaios de Beatriz Nascimento /
Organizado por Alex Ratts e Bethânia Gomes; ilustrado por Iléa Ferraz e revisado por José Henrique de
Freitas Santos. Salvador: Editora Ogum’s Toque Negros, 2015. P.32

Maria Beatriz do Nascimento nasceu em Aracaju, Sergipe, em 12 de julho de 1942, filha de uma dona de casa e de um pedreiro, a oitava de dez irmãos. Beatriz também fez o caminho de muitas mulheres negras. Foi uma retirante e se mudou com sua família para Cordovil, Rio de Janeiro. Estudiosa, pesquisadora, ativista, autora e graduada no curso de história pela UFRJ, também foi professora na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro. Beatriz foi uma estudiosa da temática racial, abordou em suas pesquisas os quilombos e toda experiência de resistência dos africanos e de seus descendentes em terras brasileiras, incluindo as religiões de matriz africana. A voz de Beatriz dentro do mundo acadêmico representa ainda hoje um grito de resistência, já que a universidade sempre foi um espaço excludente para pessoas negras, especialmente mulheres. Falecida em 1995, Beatriz foi apagada da história da poesia e, ainda hoje, temos dificuldades em encontrar seus escritos na internet. Seu trabalho mais conhecido é o filme Ori, escrito e narrado por ela. Nele ela conta sua trajetória pessoal de mulher, negra e nordestina como uma forma de abordar a comunidade e identidade negra. Esse filme foi dirigido pela socióloga e cineasta, Raquel Gerber.

“A terra é o meu quilombo,
o meu espaço é o meu quilombo.
Onde eu estou,
eu estou,
quando estou eu sou”
– Beatriz Nascimento

A poesia é o melhor remédio!

Roberta Pisco

Roberta Pisco é fotógrafa e produtora cultural, com mais 10 anos de experiência no mercado cultural do Rio de Janeiro. Aprendiz de escritora e de viajante, sempre tem uma lista enorme de filmes para ver e de livros para ler. Meio palhaça, meio nerd, é especialista na arte de rir de si mesma e de provocar reações inesperadas. Carioca convicta, apaixonou-se por Paraty, onde mora e desenvolve seu trabalho como fotógrafa. Junto com Guido Nietmann, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada em imagens de altíssima qualidade nas áreas de imobiliária e ambientes, gastronomia, náutica, still (produtos), paisagens, aéreas, etc. Atualmente fotografam para as melhores empresas da Costa Verde.

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