Poeta Julião Cavallo

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Julião Cavallo: Poeta

Por Julião Cavallo

Olá!
Meu nome é Julião Cavallo, sou natural de Itabira-MG, poeta e compositor.
Filho de família humilde, criado entre a capital e o interior, desde criança, já tinha o dom de escrever e compor. Imaginava sempre algo quando sentia uma energia da qual não conseguia lidar, pois sempre andava meio que aéreo.
Com o tempo descobri que era alguma coisa que eu deveria escrever no papel, tipo descarregar, dar vazão a uma comporta, onde a barragem não suporta além do seu limite, sem a represa dar a necessária vazão.
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Então…

Peguei a caneta e o papel e escrevi, saíram os primeiros versos, as primeiras rimas, as primeiras poesias e as primeiras canções.
Descobri que alegrava, que afetava de alguma maneira as pessoas nas ruas, nas praças, de um saudoso velhinho à uma inocente criança, um estudante, um professor, o casal de namorados e até o cara estressado, quando hesitou; mas assim mesmo pegou um fanzine pensou duas vezes e leu o poema, aliviou sua mente, ajudou a solucionar seu problema.
Hoje, depois de tudo que passou durante esta peregrinação pelas várias cidades onde andei, as pessoas que conheci, os amigos que fiz, as namoradas que me apaixonei, nada além de sentimento e aprendizado, de situações que me ajudam a evoluir como pessoa, como ser humano e como poeta.

Agradeço à Deus e a minha poesia por me fazer acreditar e a dar esperanças as pessoas sobre o dia a dia, sobre o dia de outrora e as suas nostálgicas memórias, sobre um futuro melhor e sobre o amor que existe em todos nós.

No mais, gratidão e boa sorte para todos!
Confira alguns dos poemas de Julião:

 

Bela vista
I

Nos afogamos nesse aquário
de peixes multicoloridos.
Abastecido com o suor dos nossos corpos,
com o propósito de se igualar,
a imensidão do mar . Aquecido com uma enorme
voltagem de beijos ,
“ uma usina nuclear .

II

E interpretamos nossas vidas como famosos atores,
Sem nenhum texto para decorar.
E , pintamos nossos sonhos como anônimos artistas ,
sem uma bela vista , para se inspirar.
Então , façamos alguma coisa .
Rasgaremos as telas , entregaremos os pincéis.
E voltaremos ao que era .

III

Mas agora , nos retiraremos desse aquário
onde os peixes se tornaram opacos .
E , o preencheremos de areia multicolorida
bela , seca e sem vida .
Até encontrarmos novos textos , novos peixes , novas cores

e outra bela vista.

 

Cidadezinha “com carinho”

I

Faz um tempo eu fui embora .
E agora as lembranças estão guardadas
na minha memória .
Das crianças descalças nas ruas ,
as mulheres com trouxas de roupas ,
os homens com trouxas de ouro ,
a gastarem nos bordéis ,
e os coronéis ?
Ainda são os mesmos .

II

E as montanhas de matas virgens
que me aguçava o medo .
Agora, são casas que não as vejo .
São pessoas das quais , desconheço .
E a velha bica d’ água , virou avenida , virou água poluída .
As ideias mudaram , más não os ideais .
Os conceitos , os valores , o dinheiro .

III

De criança à adolescente , homem velho ,
a morte sempre consequente .
Dos frios dias de inverno ,
aos quentes dias que ,
aquecem as montanhas de ferro
que também desaparecem aos poucos .
E sem a locomotiva dar trégua ,
mais um pouquinho “Cauê “,
mais um pouquinho “Conceição”.

IV

E assim vai embora a caminho do porto
A nossa querida Itabira ,
de vagão em vagão .