Enriquecimento Ambiental – Primeira Parte

Chegamos ao terceiro pilar da metodologia de EDUCAÇÃO COM CARINHO, dentro da filosofia de vida e serviços da CÃOMPAIXÃO SERVINDO AOS CÃES.

Até aqui já falei sobre psicologia canina, psicologia comportamental. Agora o tema abordado será o ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL.

Os animais na natureza estão constantemente em busca de alimento, água, território, disputas pelo parceiro sexual, abrigo, evitando predadores. Vivem novas experiências com muita freqüência, tendo a oportunidade de aprender com cada escolha que fazem. Em um ambiente artificial, a alimentação é fornecida e os animais não precisam competir, estando protegidos de seus predadores, como acontece com nossos Cães domesticados vivendo em nossos lares. Muitas vezes o ambiente não possui distrações (são jaulas de cimento e grade ou gaiolas, canis, apartamentos e locais restritos e fechados, como quintais murados), levando o animal a viver anos em espaço muito reduzido e sem nenhum desafio físico e mental. Isso gera sérios problemas comportamentais aos Cães.
Na década de 70 o conceito de enriquecimento ambiental começou a ser difundido e aplicado em zoológicos pelo mundo. Enriquecimento ambiental é a criação de um ambiente mais complexo e interativo, promovendo desafios e novidades que simulam situações que ocorreriam na natureza, oferecendo oportunidade de escolha ao animal mantido em cativeiro, que é exatamente o caso dos nossos cães domesticados. Isto permite a expressão de comportamentos específicos de cada espécie. É necessário que se faça uma avaliação e investigação comportamental do cão para elaborar um circuito de enriquecimento ambiental em sua casa. Logicamente há uma limitação de espaço e atividades, mas é possível incrementar imensamente o ambiente em que o animal vive com o enriquecimento, tornando-o mais complexo, portanto, menos previsível e entediante.

O tipo de alimento e a maneira como ele é oferecido (camuflado inteiro ou congelado), assim como a introdução de vegetação, barreiras visuais, substratos, estruturas para se pendurar ou se balançar (como cordas, troncos, ou mangueiras de bombeiro), sons com vocalizações, ervas aromáticas, tocas, piscinas, fezes de outros animais são maneiras de se enriquecer recintos em zoológicos.

É importante estarmos atentos a um fato importante: em pouco tempo os estímulos desaparecem, tornando o ambiente monótono novamente, ou seja, o animal se habitua aos brinquedos, substratos e objetos. É necessário que se tenha muita criatividade e que se faça uma rotação de todos os ítens utilizados para promover o enriquecimento.

Existem cinco tipos de enriquecimento ambiental, que devem ser apropriados a espécie em questão, para garantir não só a segurança dos animais como do público, no caso de animais cativos no zoológico. São eles:

1. Físico: relacionado a estrutura física do recinto, ou seja, introdução de aparatos que deixem o ambiente semelhante ao habitat natural de cada espécie. Exemplo: vegetação, diferentes substratos (como terra, areia, grama, folhas secas), estruturas para se pendurar e balançar (como cordas, troncos ou mangueira de bombeiro) etc.

2. Sensorial: É amplamente utilizado e consiste na estimulação dos cinco sentidos dos animais: visual, auditivo, olfativo, tátil e gustativo. Sons com vocalizações, ervas aromáticas, urina e fezes de outros animais (com acompanhamento periódico, através de exames coproparasitológicos)

3. Cognitivo: Dispositivos mecânicos (“quebra-cabeças”) para os animais manipularem são maneiras de estimular suas capacidades intelectuais.

4. Social: Consiste na interação intra-específica ou inter-específica que pode ser criada dentro de um recinto. Os animais têm a oportunidade de interagir com outras espécies que naturalmente conviveriam na natureza ou com indivíduos da mesma espécie.

5. Alimentar: variações na alimentação também podem ser consideradas um tipo de enriquecimento ambiental em cativeiro. É de suma importância ressaltar que tais variações devem ser DE ACORDO com os hábitos de cada espécie, visando sempre o bem-estar animal. Alimentos que não constam na dieta habitual do cativeiro podem ser oferecidos aos animais esporadicamente, como frutas da época, por exemplo. Variações na maneira como estes alimentos são oferecidos (inteiros, escondidos ou congelados), na freqüência (diariamente ou não) e no horário (manhã, tarde ou noite).

Fotos: AULÃO GRATUITO DE ADESTRAMENTO EM GRUPO – realizado na praça da Igreja Santa Rita no dia 18/8/2012 com participação da Adestradora de Cães Aninha Campos da CÃO EM FOCO – EDUCAÇÃO CANINA de SANTO ANDRÉ-SP.

Se inscrevam em seu canal no you tube. Lá ela fala muita coisa interessante sobre cães, aproveitem. Segue o link do excelente canal da nossa parceira CÃO EM FOCO – Educação Canina:

https://www.youtube.com/user/anacamposft  

Pedro Rodarte

Pedro Rodarte

Pedro Rodarte maneja cães profissionalmente desde abril de 2002. Formado como Adestrador de Cães e Cinotécnico, atuou com criadores, adestradores e veterinários no Rio de Janeiro, Alto Paraíso de Goiás, Fortaleza, Brasília, Pirenópolis e Paraty. Pedro atua como Cinotécnico, Adestrador de Cães, Figurante (formador de Cães para o Serviço de Guarda, Tratador de Cães e Passeador de Cães. Atualmente Pedro está à frente da Cãompaixão e atende clientes em todas as regiões de Paraty, também na zona rural e toda a região costeira, oferecendo cursos individuais de capacitação/especialização e formação, e prestando serviços profissionais de educação canina e adestramento de cães.  Para obter mais informações sobre o autor e seu trabalho acesse: https://www.facebook.com/caompaixaoservindoaoscaes/