Matéria em destaque na Carta Capital cita caiçaras expulsos por condomínios de alto padrão em Paraty

Na matéria publicada hoje no site da Revista Carta Capital, são colocadas em destaque as dificuldades das comunidades caiçaras das praias mais preservadas do litoral carioca, que são até proibidas de pescar. Segundo a matéria, o tormento começou com as estradas, primeiro a Paraty-Cunha e depois a Rio-Santos. Este avanço trouxe grileiros para a região, comprando terrenos de caiçaras para construção de casas de veraneiro e condomínios de luxo.

O mais conhecido dos grileiros, Gibrail Tannus Notari, empreendeu uma investida sobre as comunidades tradicionais que já dura seis décadas. A família dele é acusada de grilagrem no Atlas Fundiário do Rio de Janeiro e há uma ação movida pelo estado no STJ contra títulos que eles apresentaram como seus.

A matéria cita ainda que expulsos, os caiçaras foram morar em favelas de Paraty e muitas vezes passaram a trabalhar para as famílias dos ricos invasores como caseiros e funcionários domésticos. Foi justamente para conter a especulação na região que foram criados  Parque Nacional da Serra da Bocaina, em 1971, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, em 1983, e a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga, em 1992 – as duas últimas se sobrepõem. Destes, só a APA não é de proteção integral, o que permite uso da terra e mar pelos caiçaras.
As outras duas geridas pelo ICMBio não reconhecem o caiçara como parte do ambiente e não permitem roçados, retirada de madeira para construção de canoas ou pesca.

A matéria diz ainda que a península da Joatinga hoje é “coisa de magnata” citando que casas embargadas são logo “desembargadas” por influência política de seus proprietários. Ainda segundo a reportagem, praias como a Praia Grande da Cajaíba sofreram grilagens pelos Tannus Notari, que apesar de responder por crimes ambientais, pretendem construir um resort no local.

A matéria cita ainda o conflito dos  moradores da praia do Sono com o Condomínio Laranjeiras, que fechou o acesso à praia das 40 famílias que vivem no local.  Cita ainda que o principal instrumento de luta dos caiçaras é o Fórum das Comunidades-Tradicionais-Angra-Paraty-Ubatuba. Foi o primeiro passo de um movimento interestadual que em 2015 tornou-se nacional. Ele busca soluções viáveis, como turismo de base comunitária que já vem sendo implantado em algumas comunidades. Há ainda a criação da Reserva Extrativista Marinha que permite regularizar a pesca feita pelos caiçaras.

Como era se se esperar, a família Tannus Notari foi procurada pelos autores da matéria assim como os responsáveis pelo ICMBio e pelo Condomínio Laranjeiras. Nenhum deles respondeu.

Confira a matéria completa em https://www.cartacapital.com.br/sociedade/em-paraty-caicaras-sao-expulsos-por-condominios-de-alto-padrao

guidonietmann

guidonietmann

Guido Nietmann é fotógrafo e mora há 7 anos em Paraty. Em parceria com a fotógrafa Roberta Pisco, criou a Fotos Incríveis, empresa especializada que atua com fotografia imobiliária, gastronômica, fotografia aérea, fotografia de produtos e também com ensaios. Apaixonado por Paraty, não se cansa de retratar as belezas da cidade e nutre uma paixão  especial pela Igreja de Santa Rita! Contato e mais informações: www.fotosincriveis.com.br

Deixe aqui sua opinião sobre este assunto!